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  • Alergia ao frio realmente existe? Saiba como descobrir se você tem (e quando ir ao médico)

    Alergia ao frio realmente existe? Saiba como descobrir se você tem (e quando ir ao médico)

    A sensação de coceira, o surgimento de manchas vermelhas ou o inchaço logo após o contato com a água gelada, o vento ou o ar-condicionado podem surgir devido a uma resposta exagerada da pele a temperaturas baixas, o que você pode conhecer como alergia ao frio.

    A condição, cujo termo correto é urticária ao frio, acontece quando o organismo libera substâncias inflamatórias, como a histamina, provocando sintomas que podem variar de leves a potencialmente graves.

    Segundo a alergista e imunologista Brianna Nicoletti, ela faz parte do grupo das urticárias crônicas induzíveis, que são formas de urticária que aparecem de maneira reprodutível quando a pessoa é exposta a um estímulo específico.

    A seguir, vamos entender quais são os sintomas mais comuns, como o diagnóstico é feito e quais cuidados ajudam a evitar crises e complicações.

    O que é a alergia ao frio?

    A alergia ao frio é o termo popular para a urticária ao frio, uma condição em que a pele reage de forma exagerada à exposição a baixas temperaturas. O contato com água gelada, vento frio, ar-condicionado, objetos frios e até alimentos ou bebidas geladas pode desencadear sintomas poucos minutos depois da exposição.

    Apesar do nome popular, a condição não funciona exatamente como uma alergia alimentar clássica, em que existe uma sensibilização IgE-mediada contra uma proteína do alimento.

    De acordo com Brianna, o estímulo físico pode levar à ativação de células da pele chamadas mastócitos, com liberação de mediadores inflamatórios, principalmente histamina. O resultado é o surgimento de placas de urticária, coceira e, em alguns casos, inchaço.

    Quais os sintomas da alergia ao frio?

    Os principais sintomas da urticária ao frio são cutâneos e normalmente aparecem poucos minutos após o contato com baixas temperaturas, como:

    • Coceira intensa na pele;
    • Vermelhidão nas áreas expostas ao frio;
    • Placas elevadas semelhantes à urticária;
    • Inchaço nos lábios, mãos ou rosto;
    • Sensação de ardência ou calor na pele;
    • Descamação ou irritação após a crise.

    Em algumas situações, principalmente após mergulhos em água fria ou exposição intensa ao frio, podem surgir sintomas mais graves, como:

    • Falta de ar;
    • Tontura;
    • Queda da pressão arterial;
    • Mal-estar;
    • Dor abdominal;
    • Batimentos acelerados;
    • Sensação de desmaio.

    A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica potencialmente grave e que precisa de atendimento imediato. Na urticária ao frio, Brianna esclarece que ela é descrita principalmente em situações como nado em água fria, banho frio, exposição intensa ao frio ou ingestão de alimentos/bebidas muito gelados em pacientes suscetíveis.

    “Nem toda vermelhidão ou pele ressecada no frio é urticária ao frio. No inverno, é comum a pele ficar seca, irritada ou descamativa. A urticária ao frio, por outro lado, costuma ter padrão de ‘vergões’ ou placas elevadas, que surgem de forma relativamente rápida após a exposição ao frio e desaparecem sem deixar marca fixa”, complementa Brianna.

    Por que a alergia ao frio acontece?

    Na urticária ao frio, quando uma região do corpo entra em contato com o estímulo, acontece a ativação de células de defesa chamadas mastócitos, presentes na pele e nas mucosas. Segundo Brianna, as células liberam substâncias inflamatórias, como a histamina, os leucotrienos e outros mediadores inflamatórios.

    “A histamina faz pequenos vasos da pele dilatarem e ficarem mais permeáveis. Em linguagem simples, é como se o vaso ‘abrisse pequenas portas’, permitindo a saída de líquido para o tecido. Isso forma a elevação típica da urticária, chamada urtica ou vergão. Ao mesmo tempo, a histamina estimula terminações nervosas, causando coceira intensa, ardor ou sensação de queimação”, explica a alergista.

    As lesões costumam aparecer poucos minutos após a exposição ao frio e tendem a melhorar quando a pele aquece novamente. No entanto, a intensidade da reação varia de acordo com a sensibilidade de cada pessoa, o tempo de exposição, a temperatura e a área do corpo que entrou em contato com o frio.

    Como saber se tenho alergia ao frio?

    O diagnóstico da urticária ao frio é feito pela avaliação da história clínica, em que o alergista investiga como os sintomas aparecem, quais situações desencadeiam as reações e qual é a intensidade do quadro.

    De acordo com Brianna, um dos testes mais conhecidos para auxiliar no diagnóstico é o teste de provocação ao frio, chamado popularmente de teste do cubo de gelo. Nele, um estímulo frio controlado é aplicado no antebraço por alguns minutos. Depois do reaquecimento da pele, o médico observa se surge uma lesão elevada e com coceira no local.

    Em centros especializados, também podem ser utilizados dispositivos padronizados, como o TempTest, que ajudam a identificar o limiar de temperatura capaz de provocar a reação.

    Os exames laboratoriais costumam ser solicitados apenas quando existem sinais de doenças associadas, sintomas persistentes, quadros incomuns ou suspeita de causas secundárias.

    Importante: os testes devem ser feitos com acompanhamento médico. Não é recomendado tentar realizar testes caseiros, principalmente em pessoas que já apresentaram sintomas mais intensos, como falta de ar ou queda de pressão.

    Quem tem maior risco de desenvolver a reação?

    A urticária ao frio pode ocorrer em diferentes faixas etárias, mas é mais frequentemente descrita em adolescentes e adultos jovens. A condição pode surgir tanto em pessoas sem histórico alérgico importante quanto em indivíduos que já apresentam outras formas de urticária ou doenças alérgicas.

    Na maior parte dos casos, a alergista explica que ela é considerada adquirida e idiopática, em que não existe uma única causa claramente identificada. Em uma minoria dos pacientes, a condição pode estar associada a:

    • Infecções;
    • Doenças autoimunes;
    • Alterações hematológicas;
    • Presença de crioproteínas, como as crioglobulinas.

    “Por isso, quando a história foge do padrão, quando há sintomas sistêmicos importantes, início muito atípico, sinais constitucionais ou achados laboratoriais suspeitos, o médico pode ampliar a investigação”, complementa.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento da urticária ao frio depende da gravidade dos sintomas, da frequência das crises e do risco individual de cada pessoa. Segundo Brianna, ele envolve especialmente evitar os gatilhos mais perigosos e utilizar medicamentos que ajudem a controlar a resposta inflamatória da pele.

    Os remédios mais usados são os anti-histamínicos, conhecidos popularmente como antialérgicos. Os médicos costumam dar preferência para as versões mais modernas, porque elas causam menos sono e menos efeitos colaterais. Quando os sintomas continuam frequentes, o alergista pode ajustar a dose do medicamento de forma segura.

    Em pacientes com sintomas persistentes, o médico pode ajustar as doses dentro das estratégias recomendadas pelas diretrizes, sempre levando em consideração a idade, as comorbidades e a segurança do tratamento.

    Nos casos mais difíceis de controlar, principalmente quando a urticária interfere muito na rotina ou existe risco de reações graves, o médico pode indicar outros tratamentos. Um deles é o omalizumabe, um medicamento usado em alguns tipos de urticária crônica e que também pode ajudar pacientes com urticária ao frio mais intensa.

    “O acompanhamento também é importante porque a doença pode ter evolução variável. Alguns pacientes melhoram com o tempo; outros mantêm sintomas por anos. O objetivo não é apenas ‘apagar coceira’, mas reduzir risco, devolver qualidade de vida e orientar a pessoa sobre o que é seguro ou não em sua rotina”, esclarece a especialista.

    Quais medidas ajudam a prevenir crises no dia a dia?

    As medidas de prevenção devem ser adaptadas à sensibilidade de cada pessoa e ao grau de gravidade da condição. Brianna orienta as principais:

    • Evitar mudanças bruscas de temperatura, sempre que possível;
    • Usar roupas adequadas em ambientes frios, como casacos, luvas, cachecois e proteção para as extremidades do corpo;
    • Evitar banhos muito frios, mergulhos em água fria ou entrada súbita em piscina ou mar sem orientação médica;
    • Testar a temperatura da água antes do banho ou da piscina, dando preferência para temperaturas mornas;
    • Ter cuidado com bebidas muito geladas, sorvetes e alimentos congelados caso existam sintomas na boca ou na garganta;
    • Avisar os profissionais de saúde antes de procedimentos que envolvam exposição ao frio, como compressas frias, ambientes muito refrigerados ou uso de soluções geladas;
    • Não nadar sozinho em caso de diagnóstico ou suspeita de urticária ao frio.

    Em pessoas com histórico de reações mais graves, o alergista pode orientar o uso preventivo de remédios e discutir a necessidade de ter adrenalina autoinjetável para situações de emergência.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar avaliação médica quando os sintomas aparecem de forma repetida após a exposição ao frio, principalmente se houver:

    • Falta de ar;
    • Rouquidão;
    • Sensação de garganta fechando;
    • Tontura;
    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Palidez;
    • Queda de pressão;
    • Urticária espalhada pelo corpo;
    • Inchaço importante no rosto, na língua ou na garganta.

    Confira: Mofo em casa: por que ele piora as alergias respiratórias?

    Perguntas frequentes

    1. Alergia ao frio tem cura?

    Não existe uma cura definitiva na maioria dos casos, mas os sintomas podem ser controlados com medicamentos e prevenção. Em muitos pacientes, a condição desaparece espontaneamente após alguns anos.

    2. Quem tem alergia ao frio pode tomar banho gelado?

    Não é recomendável. O contato súbito com a água fria pode desencadear placas de urticária por todo o corpo e, em casos graves, levar ao choque anafilático.

    3. A alergia ao frio é contagiosa?

    Não. É uma reação do sistema imunológico do próprio indivíduo e não é transmitida pelo contato ou pelo ar.

    4. Posso desenvolver essa alergia depois de adulto?

    Sim. Embora possa surgir na infância, é comum que a urticária ao frio apareça em jovens adultos, muitas vezes sem uma causa aparente.

    5. Beber água gelada é perigoso para quem tem essa condição?

    Sim. Pode causar inchaço (angioedema) nos lábios, língua e, mais gravemente, na glote, dificultando a respiração.

    6. Exercício físico no frio piora a alergia?

    Pode piorar. A combinação de suor (que esfria a pele ao evaporar) e o ar frio ambiente aumenta o risco de crises.

    7. Qual a temperatura que dispara a alergia?

    Varia para cada pessoa. Alguns reagem abaixo de 4°C, enquanto outros mais sensíveis apresentam sintomas em temperaturas amenas, como 15°C ou 20°C.

    8. Como me proteger no inverno?

    Use roupas em camadas, proteja extremidades com luvas e cachecóis, e evite mudanças bruscas de temperatura (choque térmico).

    9. Quem tem alergia ao frio pode comer sorvete?

    Deve-se ter muito cuidado. O contato do gelado com a garganta pode causar edema de glote. Se houver histórico de inchaço na boca, o consumo deve ser evitado.

    Confira: Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

  • Por que não se deve parar antidepressivo de repente?

    Por que não se deve parar antidepressivo de repente?

    Os antidepressivos são remédios que atuam diretamente no sistema nervoso central para ajudar a regular o equilíbrio de substâncias químicas chamadas neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

    Por alterarem a química cerebral de forma profunda e gradual, eles precisam de um um cuidado rigoroso tanto no início quanto no término do uso.

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, não é indicado interromper o uso do antidepressivo de repente, sem a devida orientação médica, pois pode desencadear uma série de reações adversas graves, conhecidas como síndrome de descontinuação.

    Em alguns casos, também pode haver uma piora temporária dos sintomas da própria depressão, o que pode confundir o paciente e dar a impressão de que o tratamento não estava funcionando. Por isso, a retirada do antidepressivo deve ser feita de forma gradual, com redução progressiva da dose e acompanhamento médico próximo.

    O que é a síndrome de descontinuação?

    A síndrome de descontinuação é um conjunto de sintomas que pode surgir quando um antidepressivo é interrompido de forma abrupta ou reduzido rápido demais, sem o tempo necessário para o corpo se adaptar.

    Ao longo do tratamento, os receptores dos neurônios se ajustam para funcionar com aquela quantidade extra de neurotransmissores, como a serotonina. Quando o antidepressivo é retirado de repente, os níveis da substância caem rapidamente no sangue e o cérebro não consegue se ajustar na mesma velocidade.

    Como consequência, o corpo pode apresentar sintomas que variam de leves a incapacitantes, dependendo do tipo de molécula e do tempo de uso. Normalmente, eles aparecem entre 2 a 4 dias após a interrupção e costumam durar de uma a duas semanas. Em alguns casos, podem persistir por mais tempo se não houver intervenção médica para retomar o desmame correto.

    Importante: diferente do que ocorre com alguns calmantes ou drogas ilícitas, a reação não significa que o remédio causa dependência, mas sim que o organismo sofreu um choque adaptativo.

    Principais sintomas da interrupção abrupta do antidepressivo

    A intensidade dos sintomas varia de acordo com o organismo e o tipo de medicamento, mas os sinais mais comuns relatados pelos pacientes incluem:

    • Tontura e sensação de desequilíbrio;
    • Náuseas e mal-estar gastrointestinal;
    • Dor de cabeça;
    • Fadiga ou sensação de fraqueza;
    • Insônia ou sono agitado;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Ansiedade ou agitação;
    • Sensação de choques elétricos no corpo (especialmente na cabeça);
    • Formigamento ou sensação estranha na pele;
    • Dificuldade de concentração.

    Em algumas pessoas, também pode acontecer uma piora temporária dos sintomas da depressão ou da ansiedade, o que é conhecido como efeito rebote. A intensidade varia bastante, mas tende a ser maior quando a interrupção é feita de forma repentina, sem o desmame adequado.

    Como o desmame deve ser feito com segurança

    Segundo Luiz, quando for o momento ideal para interromper o tratamento, o médico orienta como deve ser feita a interrupção. Normalmente, ela precisa seguir alguns cuidados, como:

    • Redução gradual da dose: o médico diminui a quantidade do medicamento aos poucos, ao longo de semanas ou meses, dependendo do remédio, da dose e do tempo de uso;
    • Intervalos entre as reduções: o organismo precisa de um tempo para se adaptar a cada etapa, então as quedas de dose não são feitas de uma vez;
    • Acompanhamento dos sintomas: é importante observar como o corpo e o humor reagem. Se surgirem efeitos intensos, o ritmo pode ser ajustado;
    • Individualização do processo: não existe um padrão único, e cada pessoa responde de um jeito, e o plano deve ser personalizado;
    • Apoio durante a retirada: manter terapia, rotina de sono, alimentação equilibrada e manejo do estresse ajuda a tornar o processo mais estável.

    Em alguns casos, o médico pode optar por trocar para um antidepressivo de ação mais longa antes de iniciar o desmame, o que reduz a chance de sintomas mais fortes.

    O que fazer se você esqueceu de tomar uma dose

    Se você esqueceu de tomar o antidepressivo, o ideal é tomar a dose assim que se lembrar. No entanto, se já estiver quase na hora da próxima tomada, ignore a dose esquecida e siga o cronograma normal.

    Nunca tome duas doses ao mesmo tempo para compensar o esquecimento, pois isso aumenta o risco de efeitos colaterais e toxicidade sem trazer nenhum benefício terapêutico ao tratamento.

    Caso o esquecimento seja de apenas um dia, a maioria das pessoas não sente efeitos graves, mas os medicamentos com saída rápida do organismo podem causar tontura ou leve irritabilidade já nas primeiras horas de atraso.

    Por fim, se você notar que esqueceu o remédio por vários dias seguidos, não tente retomar a dose máxima de uma vez caso sinta mal-estar. Primeiro, entre em contato com seu médico para receber orientações de como estabilizar os níveis da medicação novamente.

    Quando é o momento certo de parar o tratamento?

    A interrupção de um antidepressivo só deve acontecer quando você já está bem, sem sintomas, e com o emocional estável por um bom tempo, normalmente entre 6 e 12 meses depois da melhora. O período é importante para o cérebro se ajustar e para diminuir o risco de a depressão voltar.

    A decisão de parar o remédio precisa ser feita pelo médico, que vai avaliar se você está em uma fase tranquila da vida, sem grandes estresses que possam atrapalhar o processo. O histórico também conta: quem teve um único episódio pode conseguir parar antes, enquanto quem já teve mais de uma crise costuma precisar de um tratamento mais longo.

    Atenção: se você sentir que o remédio está causando efeitos colaterais desagradáveis, não pare por conta própria. Nesses casos, o médico pode optar por trocar a molécula em vez de interromper o tratamento.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Antidepressivo causa dependência ou vício?

    Não. Diferente de calmantes (benzodiazepínicos), os antidepressivos não causam dependência química. A dificuldade em parar deve-se à adaptação do cérebro à substância, e não a um vício.

    2. Quanto tempo duram os sintomas de retirada?

    Em média, os sintomas surgem em 2 a 4 dias e duram de uma a duas semanas. No entanto, se a interrupção for abrupta, o mal-estar pode persistir por mais tempo até que o corpo se estabilize.

    3. Posso diminuir a dose cortando o comprimido ao meio?

    Apenas se o comprimido for sulcado (tiver a marca de divisão) e com orientação médica. Alguns remédios têm revestimento especial para liberação lenta que é destruído ao ser cortado.

    4. Parar de tomar o remédio pode causar convulsão?

    É raro, mas pode acontecer com certos tipos de antidepressivos (como a bupropiona) se interrompidos bruscamente em doses altas. Por isso, o desmame é obrigatório.

    5. Posso beber álcool durante o desmame?

    Não é recomendável. O álcool sobrecarrega o sistema nervoso central e pode intensificar os sintomas de tontura e instabilidade emocional da retirada.

    6. Como saber se o que sinto é a retirada ou a depressão voltando?

    Os sintomas de retirada surgem dias após a parada e incluem sinais físicos (choques, náuseas). Se os sintomas forem puramente emocionais e surgirem semanas depois, é provável que seja a doença voltando.

    7. Existe algum suplemento que ajude no desmame?

    Alguns médicos sugerem ômega-3 ou magnésio, mas nada substitui a redução gradual da dose. Nunca use suplementos sem autorização médica nesse período.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Pericardite: a inflamação no coração que pode simular infarto 

    Pericardite: a inflamação no coração que pode simular infarto 

    Dor no peito costuma ser um sintoma que assusta, e com muita razão. Quando ela surge de forma intensa, muitas pessoas pensam imediatamente em infarto. Mas existe outra condição cardíaca que também pode provocar dor importante e exigir avaliação médica rápida: a pericardite.

    A doença acontece quando a membrana que envolve o coração fica inflamada, geralmente após infecções virais ou outros processos inflamatórios. Embora a maioria dos casos tenha boa evolução, algumas complicações podem ocorrer, o que torna o diagnóstico e o acompanhamento fundamentais.

    O que é a pericardite

    A pericardite é a inflamação do pericárdio, uma membrana que envolve o coração e o protege.

    Essa condição pode causar dor no peito, muitas vezes semelhante à dor de problemas cardíacos mais graves, chegando até a simular um infarto.

    Na maioria dos casos, a evolução é benigna, mas algumas pessoas podem desenvolver complicações que exigem acompanhamento médico adequado.

    O pericárdio é uma estrutura formada por duas camadas que envolvem o coração.

    Quando essa membrana sofre inflamação, podem ocorrer:

    • Dor torácica;
    • Atrito entre as camadas do pericárdio;
    • Acúmulo de líquido ao redor do coração (derrame pericárdico).

    Principais causas

    A pericardite pode ter diferentes causas.

    As mais comuns são:

    • Infecções virais (principal causa);
    • Infecções bacterianas;
    • Tuberculose e outros microrganismos;
    • Doenças autoimunes;
    • Trauma ou cirurgia cardíaca;
    • Alguns tipos de câncer;
    • Doença renal crônica (pericardite urêmica ou associada à diálise).

    Em muitos casos, a causa não é identificada, sendo chamada de idiopática.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem variar de intensidade, mas alguns sinais são bastante característicos.

    Os mais comuns são:

    • Dor no peito, geralmente aguda e com piora ao deitar;
    • Melhora da dor ao inclinar o corpo para frente;
    • Febre, especialmente em casos infecciosos;
    • Falta de ar;
    • Sensação de mal-estar.

    Durante o exame físico, o médico também pode identificar um som característico chamado atrito pericárdico.

    Como diferenciar de infarto

    A pericardite pode causar sintomas semelhantes aos do infarto, principalmente dor torácica. Algumas características ajudam na diferenciação:

    • Pericardite: dor que piora ao deitar e melhora ao inclinar o corpo para frente;
    • Infarto: dor mais contínua, geralmente sem relação com posição corporal.

    Além disso, alterações específicas no eletrocardiograma ajudam no diagnóstico. Mesmo assim, toda dor no peito deve ser avaliada com urgência.

    Possíveis complicações

    Na maioria dos casos, a evolução é favorável. No entanto, algumas complicações podem acontecer:

    • Derrame pericárdico (acúmulo de líquido);
    • Tamponamento cardíaco, quando o líquido compromete o funcionamento do coração;
    • Pericardite recorrente;
    • Espessamento crônico do pericárdio.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve avaliação médica e exames complementares. Os principais exames são:

    • Eletrocardiograma;
    • Exames de sangue;
    • Radiografia de tórax;
    • Ecocardiograma;
    • Exames adicionais, quando necessário, como sorologias, culturas e investigação de doenças reumatológicas.

    O ecocardiograma é especialmente importante quando há suspeita de derrame pericárdico ou tamponamento cardíaco.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da causa e da gravidade da doença.

    1. Medicamentos

    • Anti-inflamatórios;
    • Colchicina;
    • Analgésicos;
    • Em alguns casos, corticoides.

    Nas formas virais ou idiopáticas, a combinação de anti-inflamatório e colchicina costuma ser o tratamento inicial mais utilizado.

    2. Tratamento da causa

    Quando a causa é identificada, ela também deve ser tratada, como em casos de:

    • Infecções;
    • Doenças autoimunes;
    • Tuberculose.

    3. Casos mais graves

    Podem exigir:

    • Internação hospitalar;
    • Monitorização cardíaca;
    • Drenagem do líquido ao redor do coração.

    Pericardite tem cura?

    Na maioria dos casos, sim.

    Grande parte dos pacientes melhora completamente com tratamento adequado.

    Mesmo assim, algumas pessoas podem apresentar recorrência da inflamação.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Dor intensa no peito;
    • Falta de ar;
    • Sensação de desmaio;
    • Piora rápida dos sintomas.

    Leia mais: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre pericardite

    1. Pericardite é grave?

    Na maioria dos casos, não, mas pode causar complicações.

    2. Pode causar dor no peito?

    Sim. É o principal sintoma.

    3. É igual a infarto?

    Não, mas os sintomas de pericardite podem ser parecidos.

    4. A pericardite tem cura?

    Sim, na maioria dos casos.

    5. Pode voltar?

    Sim. Algumas pessoas apresentam recorrência.

    6. Precisa de internação?

    Depende da gravidade e da presença de complicações.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver dor no peito ou suspeita de problema cardíaco.

    Leia também: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • Pólipos nasais: por que eles aparecem e quando operar 

    Pólipos nasais: por que eles aparecem e quando operar 

    Nariz constantemente entupido, dificuldade para sentir cheiros e sensação frequente de pressão no rosto são sintomas que muita gente associa apenas à rinite ou sinusite. Em alguns casos, porém, esses sinais podem estar relacionados aos pólipos nasais, pequenas formações benignas que crescem dentro do nariz e dos seios da face.

    Embora não sejam câncer e muitas vezes se desenvolvam lentamente, os pólipos podem impactar bastante a qualidade de vida, principalmente quando aumentam de tamanho ou surgem associados a inflamações crônicas das vias respiratórias.

    Os pólipos nasais são formações benignas que crescem na mucosa do nariz e dos seios da face.

    Eles estão frequentemente associados à inflamação crônica e podem causar sintomas como nariz entupido, perda do olfato e secreção nasal persistente.

    Embora não sejam câncer, podem impactar significativamente a qualidade de vida quando aumentam de tamanho.

    O que são os pólipos nasais

    Os pólipos nasais são estruturas moles, semelhantes a pequenas bolsas ou “cachos”, que se formam na mucosa nasal. Eles surgem por conta de uma inflamação prolongada da região, especialmente nos seios da face.

    Esses pólipos podem ser únicos ou múltiplos e variar de tamanho.

    Principais sintomas

    Os sintomas costumam surgir de forma gradual e progressiva.

    Os mais comuns são:

    • Nariz entupido persistente;
    • Dificuldade para respirar pelo nariz;
    • Redução ou perda do olfato;
    • Coriza (secreção nasal);
    • Sensação de pressão na face;
    • Roncos ou respiração bucal.

    Principais causas

    Os pólipos nasais estão relacionados à inflamação crônica das vias aéreas.

    Entre os fatores mais associados estão:

    • Rinite alérgica;
    • Sinusite crônica;
    • Asma;
    • Infecções repetidas;
    • Alterações inflamatórias da mucosa nasal.

    Nem sempre é possível identificar uma causa única.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver pólipos nasais:

    • Pessoas com rinite alérgica;
    • Pacientes com asma;
    • Indivíduos com sinusite crônica;
    • Histórico familiar;
    • Adultos (mais comum que em crianças).

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é feito por avaliação médica e exames específicos.

    Os principais métodos são:

    • Exame clínico do nariz;
    • Endoscopia nasal;
    • Tomografia dos seios da face.

    Esses exames ajudam a avaliar o tamanho, a quantidade e a extensão dos pólipos.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da extensão da doença.

    1. Tratamento medicamentoso

    • Corticoides nasais em spray;
    • Em alguns casos, corticoides orais;
    • Tratamento de alergias associadas.

    2. Cirurgia

    • Indicada quando os sintomas persistem apesar do tratamento clínico;
    • Remoção dos pólipos por cirurgia endoscópica nasal.

    3. Controle da inflamação

    O controle da inflamação é fundamental para evitar recidivas, por isso a necessidade de acompanhamento contínuo.

    Pólipos nasais podem voltar?

    Sim. Mesmo após tratamento ou cirurgia, os pólipos podem reaparecer, especialmente quando a inflamação crônica persiste. Por isso, o acompanhamento médico regular é importante.

    Pólipos nasais são perigosos?

    Não são câncer e geralmente não evoluem para malignidade. No entanto, podem causar desconforto significativo e prejudicar a respiração, o sono e o olfato.

    Veja também: Como fazer lavagem nasal em casa? Veja o passo a passo

    Perguntas frequentes sobre pólipos nasais

    1. Pólipos nasais são câncer?

    Não. São formações benignas.

    2. Sempre precisam de cirurgia?

    Não. Muitos casos melhoram com medicamentos.

    3. Podem causar perda de olfato?

    Sim. É um sintoma bastante comum.

    4. Podem voltar após cirurgia?

    Sim. Recidivas podem acontecer.

    5. Estão relacionados à alergia?

    Sim. Frequentemente estão associados à rinite alérgica e à asma.

    6. Dói?

    Geralmente não causam dor diretamente, mas podem provocar sensação de pressão na face e desconforto nasal.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver nariz entupido persistente, perda do olfato, dificuldade para respirar ou sintomas que não melhoram.

    Veja também: Tipos de sinusite: veja as diferenças entre viral, bacteriana e fúngica

  • Picada de abelha: o que fazer na hora e quando correr para o hospital 

    Picada de abelha: o que fazer na hora e quando correr para o hospital 

    Uma picada de abelha costuma provocar dor imediata, vermelhidão e bastante desconforto e, em muitos casos, o susto pode ser maior do que a gravidade da situação. Ainda assim, saber agir rapidamente faz diferença para aliviar os sintomas e evitar complicações.

    Embora a maioria das picadas cause apenas reações locais leves, algumas pessoas podem desenvolver alergias importantes ou apresentar quadros mais graves, especialmente após múltiplas picadas. Por isso, entender os sinais de alerta é muito importante.

    O que acontece após a picada

    A picada de abelha é comum e, na maioria das vezes, causa apenas dor local, vermelhidão e inchaço. Em algumas pessoas, no entanto, a picada pode desencadear reações alérgicas mais intensas, que exigem atenção médica imediata.

    Saber como agir rapidamente ajuda a aliviar os sintomas e prevenir complicações.

    Quando a abelha pica, ela injeta veneno na pele por meio do ferrão. Esse veneno provoca:

    • Dor imediata;
    • Vermelhidão;
    • Inchaço;
    • Sensação de queimação.

    Em alguns casos, o ferrão permanece na pele e continua liberando veneno por alguns segundos.

    O que fazer imediatamente

    As primeiras medidas são simples e eficazes.

    1. Remover o ferrão

    Retire o ferrão o mais rápido possível. Para isso, use a unha ou um objeto rígido (evite apertar o ferrão para não liberar mais veneno).

    2. Lavar o local

    Lave a região com água e sabão, isso é importante.

    3. Aplicar compressa fria

    O frio ajuda a reduzir dor e inchaço.

    Sintomas mais comuns

    Na maioria dos casos, a reação é leve. Os sintomas costumam ser:

    • Dor local;
    • Vermelhidão;
    • Inchaço;
    • Coceira.

    Esses sintomas costumam melhorar em poucas horas ou dias.

    Quando a reação é mais intensa

    Algumas pessoas podem apresentar reações maiores no local da picada.

    Entre elas:

    • Inchaço mais extenso;
    • Vermelhidão que aumenta ao longo das horas;
    • Desconforto prolongado.

    Mesmo assim, geralmente não se trata de uma situação grave.

    Reação alérgica grave (anafilaxia)

    Em casos raros, pode ocorrer reação alérgica grave, chamada anafilaxia.

    Os sinais de alerta são:

    • Falta de ar;
    • Inchaço nos lábios, língua ou rosto;
    • Urticária pelo corpo;
    • Tontura ou desmaio;
    • Queda de pressão.

    Essa é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    Quando procurar atendimento médico

    Procure ajuda imediatamente se houver:

    • Sinais de reação alérgica grave;
    • Múltiplas picadas;
    • Picada em boca, garganta ou olhos;
    • Dor intensa ou piora progressiva dos sintomas.

    Como aliviar os sintomas

    Além das medidas iniciais, pode-se utilizar:

    • Analgésicos;
    • Antialérgicos;
    • Cremes para coceira.

    Sempre com orientação médica, se necessário.

    Picadas múltiplas: atenção redobrada

    Múltiplas picadas podem levar a grande quantidade de veneno no organismo, o que aumenta o risco de complicações, mesmo em pessoas sem alergia conhecida.

    Como prevenir picadas de abelha

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Evitar mexer em colmeias;
    • Não usar perfumes fortes em áreas abertas;
    • Usar roupas adequadas em ambientes com muitos insetos;
    • Manter distância de enxames.

    Veja mais: Quando a alergia vira emergência: entenda a anafilaxia

    Perguntas frequentes sobre picada de abelha

    1. Sempre precisa tirar o ferrão?

    Sim. Quanto antes remover, melhor.

    2. Pode colocar gelo?

    Sim. Compressas frias ajudam a aliviar os sintomas.

    3. É perigoso?

    Na maioria das vezes, não.

    4. Pode causar alergia?

    Sim. Algumas pessoas podem desenvolver reação alérgica grave.

    5. Precisa de remédio?

    Depende da intensidade dos sintomas.

    6. Quanto tempo dura?

    Geralmente melhora em poucos dias.

    7. Quando é emergência?

    Quando há sinais de reação alérgica grave, como falta de ar ou inchaço importante.

    Veja mais: Picada de escorpião: 12 sintomas e o que fazer imediatamente após a picada

  • É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que afeta principalmente a memória, o raciocínio e o comportamento.

    A doença acontece pela perda gradual de células do cérebro, comprometendo as funções cognitivas ao longo do tempo, o que provoca sinais como esquecimentos frequentes, dificuldade para lembrar informações recentes e confusão com datas ou compromissos.

    O envelhecimento é um dos principais fatores de risco do Alzheimer, mas o surgimento da doença não faz parte do envelhecimento natural.

    Na verdade, a estimativa é que 45% dos casos de demência no mundo poderiam ser evitados ou atrasados através da mudança de hábitos cotidianos, de acordo com um relatório da Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidado da Demência.

    Afinal, é possível prevenir o Alzheimer?

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, não existe uma forma garantida de impedir o surgimento do Alzheimer, mas existem vários hábitos que podem reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida.

    O cérebro possui algo chamado reserva cognitiva, que funciona como uma espécie de proteção construída ao longo dos anos por meio de estímulos mentais, aprendizado e hábitos saudáveis.

    Assim, mesmo que a doença comece a afetar o cérebro, pessoas com uma reserva cognitiva maior conseguem manter a autonomia e as funções do dia a dia por mais tempo.

    Como reduzir o risco de Alzheimer?

    1. Estimular a mente (reserva cognitiva)

    Quanto mais o cérebro é estimulado ao longo da vida, mais conexões entre os neurônios ele consegue criar. Por isso, os hábitos que desafiam a mente ajudam a fortalecer a reserva cognitiva, como:

    • O aprendizado de um novo idioma, instrumento musical ou atividade diferente da rotina;
    • A leitura frequente e os jogos de estratégia, como xadrez e palavras-cruzadas;
    • As mudanças em pequenos hábitos do dia a dia, como fazer caminhos diferentes ou sair do piloto automático;
    • A manutenção da vida social ativa e das conversas estimulantes;
    • Os estudos, cursos e atividades que exigem raciocínio e concentração contínuos.

    Quanto maior for a reserva cognitiva, maior tende a ser a capacidade do cérebro de lidar com o envelhecimento e compensar possíveis perdas cognitivas ao longo da vida.

    2. Cuidar da saúde cardiovascular

    A saúde do cérebro está diretamente ligada à saúde cardiovascular, uma vez que que o cérebro depende de um bom fluxo sanguíneo para funcionar corretamente. O controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol contribui para reduzir os danos aos vasos sanguíneos e proteger as funções cognitivas ao longo dos anos.

    O tabagismo também precisa de atenção, porque o cigarro aumenta os processos inflamatórios no organismo e pode acelerar o declínio cognitivo e os problemas vasculares que afetam o cérebro.

    3. Alimentação saudável

    As dietas ricas em peixes, azeite de oliva, castanhas, frutas vermelhas e vegetais de folhas escuras fornecem nutrientes e antioxidantes que ajudam no funcionamento cerebral. Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, gorduras trans, açúcares refinados e carne vermelha pode favorecer os processos inflamatórios e prejudicar a saúde cognitiva ao longo do tempo.

    4. Prática de exercícios físicos

    A prática regular de exercícios físicos ajuda a melhorar a circulação sanguínea, a oxigenação cerebral e o funcionamento dos neurônios.

    Os exercícios aeróbicos, como as caminhadas, a natação e o ciclismo, costumam trazer benefícios importantes para a memória e para a concentração. Já os treinos de força também ajudam a reduzir os processos inflamatórios do organismo e contribuem para um envelhecimento mais saudável.

    5. Priorizar o sono e a saúde mental

    O sono de qualidade é necessário para a memória e para a saúde do cérebro, já que é durante o descanso profundo que o organismo realiza processos importantes de consolidação das memórias e de eliminação de toxinas cerebrais.

    Além disso, os cuidados com a saúde mental, a redução do estresse e a manutenção das relações sociais também ajudam a proteger as funções cognitivas ao longo da vida.

    Por fim, vale atenção à saúde auditiva, porque a perda de audição sem tratamento pode aumentar o isolamento social e acelerar o declínio cognitivo.

    Fatores de risco que você pode (e não pode) controlar

    O desenvolvimento do Alzheimer é influenciado por diferentes fatores. Alguns não podem ser modificados, como a idade e a genética, enquanto outros estão relacionados ao estilo de vida e podem ser controlados ao longo dos anos.

    Entre os fatores que você não consegue controlar, é possível destacar:

    • Idade, principalmente após os 65 anos, já que o risco da doença aumenta com o envelhecimento;
    • Genética e algumas mutações associadas ao Alzheimer, que podem aumentar a predisposição para a condição;
    • Histórico familiar da doença em parentes de primeiro grau, como pais e irmãos;
    • Sexo feminino, que apresenta maior risco estatístico para o desenvolvimento da doença.

    Já entre os fatores que você consegue controlar, estão:

    • Baixa escolaridade e a falta de estímulo intelectual ao longo da vida, que podem reduzir a reserva cognitiva do cérebro;
    • Hipertensão, o colesterol alto e a obesidade, especialmente na meia-idade, que prejudicam a circulação sanguínea cerebral;
    • Sedentarismo e a falta de atividade física regular, que favorecem processos inflamatórios no organismo;
    • Tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que aceleram o envelhecimento celular e afetam os neurônios;
    • Diabetes tipo 2, que pode prejudicar a forma como o cérebro utiliza a glicose para funcionar adequadamente;
    • Perda auditiva sem tratamento, que reduz os estímulos recebidos pelo cérebro ao longo do tempo;
    • Isolamento social e a depressão, que aumentam o estresse crônico e podem impactar a memória e as funções cognitivas

    Sinais de alerta para procurar um médico

    No dia a dia, é comum ter pequenos lapsos de memória, como esquecer onde deixou as chaves ou não lembrar o nome de alguém que você acabou de conhecer. Mas, quando as falhas de memória começam a interferir na rotina e na autonomia, é momento de procurar avaliação médica. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • Perda de memória frequente que começa a atrapalhar o dia a dia;
    • Dificuldade para planejar atividades ou resolver problemas simples;
    • Confusão com datas, horários, lugares ou trajetos conhecidos;
    • Dificuldade para realizar tarefas habituais da rotina;
    • Problemas para encontrar palavras ou manter conversas;
    • Mudanças de humor, comportamento ou personalidade;
    • Afastamento social e perda de interesse por atividades que antes eram comuns.

    Os sinais não significam necessariamente que a pessoa tenha Alzheimer, mas indicam a necessidade de uma avaliação médica, principalmente quando os sintomas passam a se repetir com frequência e comprometem a autonomia no dia a dia.

    Perguntas frequentes

    1. O Alzheimer é hereditário?

    Na maioria dos casos, não. Apenas cerca de 1% a 5% dos casos são puramente genéticos (Alzheimer familiar precoce). Ter um parente com a doença aumenta o risco, mas o estilo de vida é o fator determinante para a maioria das pessoas.

    2. A partir de qual idade devo me preocupar com a prevenção?

    O ideal é focar em hábitos saudáveis desde a juventude, mas a janela para o controle de fatores de risco (como pressão alta e diabetes) é a meia-idade, entre os 40 e 50 anos.

    3. O óleo de coco pode prevenir ou curar o Alzheimer?

    Não há evidências científicas sólidas que comprovem que o óleo de coco previna ou trate o Alzheimer. A melhor estratégia alimentar continua sendo a Dieta Mediterrânea.

    4. Existe alguma vitamina específica para prevenir a perda de memória?

    As vitaminas do complexo B (especialmente B12) e a vitamina D são essenciais para o cérebro. No entanto, a suplementação só deve ser feita sob orientação médica se houver deficiência.

    5. Qual a diferença entre demência e Alzheimer?

    A demência é um termo geral para o declínio das funções cognitivas. O Alzheimer é o tipo mais comum de demência, correspondendo a cerca de 60% a 80% dos casos.

    6. A depressão pode ser um sintoma precoce?

    Sim. Em muitos casos, mudanças de humor e depressão aparecem anos antes dos problemas de memória, sendo um sinal de alerta importante.

    7. Existem medicamentos para prevenir o Alzheimer?

    Até o momento, não existe um remédio aprovado para prevenir a doença em pessoas saudáveis. A prevenção é baseada exclusivamente em hábitos de vida e controle de doenças crônicas.

  • Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade? 

    Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade? 

    A sensação de estar sempre correndo atrás do tempo ou de ser pego de surpresa pelas responsabilidades do dia a dia é um dos principais gatilhos para o aumento do estresse e da ansiedade. Nesses casos, o cérebro permanece em estado de alerta constante, o que pode intensificar sintomas como palpitações, pensamentos acelerados e cansaço mental.

    Mas como criar uma rotina previsível pode ajudar? Ao estabelecer uma estrutura mínima para o dia, é possível reduzir a carga cognitiva (isto é, a quantidade de decisões que você precisa tomar), permitindo que a mente relaxe e foque no que realmente importa. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a rotina ajuda a controlar a ansiedade?

    A ansiedade é, basicamente, uma resposta do organismo ao que é desconhecido ou interpretado como ameaça. Quando uma pessoa vive sem uma estrutura mínima, o cérebro precisa tomar decisões constantes e lidar com imprevistos o tempo todo, o que mantém o corpo em um estado de alerta máximo (a resposta de luta ou fuga).

    Com uma rotina mais equilibrada, é possível:

    • Reduzir a sobrecarga mental: a organização do dia diminui a quantidade de decisões repetitivas, o que poupa energia mental e evita a sensação de esgotamento ao longo do dia;
    • Regular o funcionamento do corpo: horários consistentes para dormir, acordar e se alimentar ajudam a estabilizar o ritmo circadiano, favorecendo o equilíbrio dos hormônios ligados ao estresse e ao sono;
    • Aumentar a sensação de previsibilidade: saber o que esperar ao longo do dia reduz a percepção de ameaça e ajuda o cérebro a sair do modo de alerta constante;
    • Fortalecer a sensação de controle: uma rotina estruturada traz a percepção de que a pessoa tem mais domínio sobre a própria vida, o que diminui o sentimento de desamparo;
    • Criar pontos de estabilidade ao longo do dia: pequenos hábitos fixos funcionam como âncoras, oferecendo segurança mesmo em dias mais difíceis ou imprevisíveis.

    Vale destacar que a rotina deve servir apenas como um guia, não uma regra rígida da vida. Ser excessivamente perfeccionista com horários pode gerar mais estresse do que alívio. O ideal é manter a constância nas atividades principais, mas ter flexibilidade para lidar com imprevistos sem culpa.

    Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade?

    Criar uma rotina não significa planejar cada minuto do dia, mas sim estabelecer uma estrutura que traga conforto visual e mental. Veja algumas dicas para começar:

    1. Liste as suas atividades fixas

    Primeiro, comece anotando os compromissos que costumam ter um horário fixo, como a jornada de trabalho, as aulas ou o momento de levar os filhos à escola, por exemplo. A partir disso, é possível entender como o restante do dia será organizado.

    2. Defina os blocos de tempo

    Em vez de uma lista de tarefas interminável, trabalhe com os blocos temáticos (por exemplo, um bloco da manhã para o foco total e um bloco da tarde para as reuniões e as pendências leves). Isso evita a sensação de urgência constante e ajuda a focar em uma coisa de cada vez.

    3. Priorize o ritual de início e fim

    A ansiedade costuma ser maior ao acordar e ao deitar, já que são momentos de transição em que a mente tende a antecipar preocupações ou a revisitar o que aconteceu ao longo do dia. Uma dica é estabelecer uma sequência simples para os momentos, como:

    • Pela manhã: evite checar o celular logo ao despertar, pois o excesso de informações pode ativar o estado de alerta logo no início do dia. Prefira começar de forma mais tranquila, bebendo um copo de água, alongando o corpo ou tomando um café com calma;
    • Durante a noite: desligue as telas cerca de 30 minutos antes de dormir, já que a luz dos dispositivos interfere na produção de melatonina. Aproveite o tempo para desacelerar, reduzir os estímulos e preparar o ambiente para o descanso, com uma iluminação mais suave e atividades relaxantes.

    4. Inclua as pausas obrigatórias

    O cérebro precisa de intervalos ao longo do dia para processar as informações e se recuperar do esforço mental contínuo. Sem as pausas, a tendência é que você apresente fadiga, irritação e dificuldade de concentração.

    Por isso, programe pausas de 5 a 10 minutos entre as tarefas maiores para respirar com mais calma, caminhar um pouco ou simplesmente se afastar do computador. Os pequenos intervalos ajudam a manter a produtividade e evitam a sobrecarga.

    5. Prepare o dia seguinte na noite anterior

    Antes de dormir, reserve alguns minutos para organizar o próximo dia de forma simples: separe a roupa que vai usar, revise a tarefa principal ou faça uma lista curta de prioridades. O hábito reduz a quantidade de decisões logo pela manhã, o que diminui a sensação de pressa e desorganização, além de contribuir para a sensação de que o dia seguinte já está encaminhado e sob controle.

    Como manter a constância no dia a dia e evitar frustrações?

    É comum ter dificuldades no início, mas algumas dicas podem te ajudar a manter a constância:

    • Comece com apenas uma ou duas mudanças pequenas por semana;
    • Adote a regra de nunca pular o novo hábito por dois dias seguidos;
    • Planeje margens de tempo no dia para lidar com imprevistos inevitáveis;
    • Utilize um calendário visual para marcar os dias em que cumpriu suas metas;
    • Foque no progresso realizado em vez de buscar a perfeição total;
    • Ajuste a programação conforme a sua realidade e nível de energia do dia;
    • Comemore cada vez que conseguir manter uma atividade da sua lista.

    O ideal é criar um sistema que funcione para a sua realidade e que você consiga manter sem se desgastar.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Apesar de importante para a organização, a rotina sozinha pode não ser suficiente para tratar transtornos de ansiedade diagnosticados. Por isso, vale buscar a orientação de um psicólogo ou psiquiatra quando:

    • A ansiedade impede a realização de tarefas básicas, como trabalhar ou estudar;
    • O medo e a preocupação são persistentes e difíceis de controlar;
    • Surgem sintomas físicos frequentes, como taquicardia, falta de ar ou tonturas;
    • O sono é constantemente interrompido por pensamentos acelerados ou pesadelos;
    • Existe a sensação de “paralisia” diante de decisões simples;
    • O isolamento social se torna uma forma frequente de evitar o desconforto;
    • O uso da rotina se torna obsessivo ou gera sofrimento quando algo sai do plano.

    O acompanhamento ajuda a identificar as causas da ansiedade e oferece medidas mais personalizadas, que podem incluir psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicamentos para equilibrar as funções neurotransmissoras, como a serotonina e a noradrenalina, além da dopamina em algumas situações.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Quando a ansiedade deixa de ser normal?

    Ela se torna patológica quando é desproporcional ao evento, dura muito tempo e interfere na qualidade de vida ou na realização de tarefas simples.

    2. Quais são os principais sintomas físicos da ansiedade?

    Os sintomas comuns incluem batimentos cardíacos acelerados, sudorese, tremores, falta de ar, tensão muscular e sensação de nó na garganta.

    3. Qual a diferença entre ansiedade e estresse?

    O estresse é uma resposta a uma pressão externa imediata, enquanto a ansiedade é uma preocupação persistente que permanece mesmo após o fim do fator estressante

    4. Quanto tempo leva para uma rotina virar hábito?

    Em média 21 a 66 dias, dependendo da complexidade da atividade e da persistência individual.

    5. O que fazer quando um imprevisto quebra minha rotina?

    Aceite o imprevisto, resolva o que for urgente e retome a próxima atividade planejada assim que possível.

    6. A rotina deve ser igual nos finais de semana?

    Não precisa ser idêntica, mas manter horários próximos de acordar e comer ajuda a não desregular o organismo.

    7. Exercícios físicos devem ser feitos todos os dias?

    O ideal é manter a constância, mas três vezes por semana já trazem benefícios significativos para a saúde mental.

    8. Como a higiene do sono ajuda na rotina?

    Ao preparar o corpo para dormir, você garante um descanso de qualidade, o que melhora o humor no dia seguinte.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração  

    Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração  

    A primeira ideia que vem à mente quando surge uma dor no peito é um problema cardíaco, como infarto ou angina. Mas nem sempre a origem está exatamente no coração. Questões musculares, digestivas e até emocionais também podem provocar sintomas semelhantes.

    Para esclarecer quando a dor deve ser considerada um alerta sério, conversamos com o cardiologista Pablo Cartaxo. “A dor no peito é um sintoma que gera muita ansiedade, mas nem toda dor nessa região significa um problema no coração”.

    Quais são as possíveis causas da dor no peito?

    Um dos motivos mais frequentes para uma dor no peito é um problema osteomuscular, que envolve ossos, músculos ou articulações da região torácica. “Geralmente está ligada a esforço físico ou má postura”, destaca Pablo Cartaxo.

    Outra causa comum são os problemas gastrointestinais, frequentemente confundidos com dor cardíaca, sendo normalmente relacionados ao refluxo gastroesofágico. “Esses sintomas geralmente têm relação com a alimentação ou com a posição de deitar”, explica Cartaxo.

    Dor no peito e ansiedade também podem estar relacionadas. Crises de ansiedade e estresse ativam o sistema nervoso, liberando adrenalina e acelerando os batimentos cardíacos.

    Por fim, estão as causas cardíacas, que podem ser desencadeadas por esforço físico ou estresse e melhorar com repouso, podendo vir acompanhadas de suor frio, náuseas e sensação de morte iminente. Esse é o tipo de dor que deve ser considerado uma urgência médica.

    Confira: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Como é a dor típica de problema cardíaco?

    A dor cardíaca clássica está ligada à angina (falta de sangue e oxigênio no coração) ou ao infarto. Segundo Cartaxo, nesses casos, a dor causa “um aperto ou peso no centro do tórax, que pode irradiar para braços, mandíbulas ou costas, piorando com o esforço”.

    O médico alerta que outras doenças cardíacas também causam dor:

    • Pericardite: inflamação da membrana que envolve o coração. A dor piora ao deitar e ao respirar fundo, mas melhora quando a pessoa inclina o tronco para a frente.
    • Dissecção de aorta: emergência gravíssima. A dor surge de forma súbita, muito intensa, descrita como “rasgando” o peito e irradiando para as costas. Exige atendimento imediato.

    Segundo Pablo Cartaxo, um dos maiores mitos é acreditar que a dor no peito cardíaca é sempre insuportável. O cardiologista alerta: “A dor cardíaca pode se manifestar como um leve desconforto, uma pressão sutil ou até mesmo uma sensação estranha no peito”.

    Ele explica que mulheres, idosos e diabéticos muitas vezes apresentam sintomas atípicos, como dor abdominal, náuseas ou apenas mal-estar. Esses sinais discretos podem mascarar um infarto, tornando fundamental valorizar qualquer desconforto novo.

    Veja também: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    Sintomas que reforçam a suspeita de origem cardíaca

    Além da dor, outros sintomas são fortes indícios de problema no coração:

    • Falta de ar súbita ou ao realizar esforços leves;
    • Suor frio inesperado;
    • Náuseas, vômitos ou mal-estar geral;
    • Tontura ou sensação de desmaio iminente.

    Se esses sintomas estiverem presentes junto com a dor no peito, não deixe de procurar ajuda médica para uma avaliação detalhada.

    Leia mais: Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa

    Quando a dor pode não ser do coração?

    Esses sintomas citados acima normalmente relacionam a dor no peito a uma causa cardíaca, mas nem toda dor no peito tem relação com o coração. Algumas características ajudam a diferenciar:

    • Dor muscular: localizada, piora com movimento ou ao pressionar a região;
    • Dor digestiva: sensação de queimação que sobe do estômago ou piora após refeições;
    • Estresse e ansiedade: podem gerar dor no peito, palpitações e falta de ar.

    De qualquer forma, o recado do especialista é claro. “Na dúvida, procure ajuda. Interrompa o que estiver fazendo e repouse”, diz Cartaxo. “Se a dor for forte, nova ou vier com outros sintomas (falta de ar, suor), acione um serviço de emergência (SAMU 192) ou vá imediatamente a um pronto-socorro. Não dirija e nunca se automedique”.

    Exames que ajudam no diagnóstico

    O cardiologista explica que, assim que o paciente chega ao pronto-socorro com dor no peito, são realizados exames como o eletrocardiograma (ECG) e exames de sangue, como a troponina, para detectar danos no músculo cardíaco.

    “A partir daí, para uma investigação completa, o cardiologista pode solicitar exames de imagem como o ecocardiograma e a angiotomografia coronariana, ou testes para avaliar o coração em esforço, como cintilografia miocárdica. Em casos específicos, o cateterismo cardíaco pode ser necessário”.

    Confira:

    Perguntas Frequentes sobre dor no peito

    1. Toda dor no peito é do coração?

    Não. Ela pode ter origem muscular, digestiva, emocional ou respiratória.

    2. Como diferenciar dor cardíaca de muscular?

    A dor cardíaca é um aperto ou peso, muitas vezes irradiada para outras partes do corpo. Já a muscular é localizada e piora ao movimentar ou tocar a região.

    3. Dor no peito por ansiedade existe?

    Sim. A ansiedade pode causar dor torácica, mas essa causa só deve ser considerada após exames descartarem causas físicas.

    4. Dor cardíaca sempre é intensa?

    Não. Ela pode ser leve, discreta e até confundida com má digestão, principalmente em mulheres, idosos e diabéticos.

    5. Que exames ajudam a diagnosticar dor no peito?

    Eletrocardiograma, exames de sangue (troponina), ecocardiograma, tomografia e, em alguns casos, cateterismo.

    6. Existem diferenças da dor no peito entre homens e mulheres?

    Sim. Nas mulheres, os quadros de infarto muitas vezes não incluem dor torácica intensa. É mais comum aparecer cansaço extremo, dor nas costas, estômago ou mandíbula, além de náuseas.

    7. Quando procurar ajuda urgente?

    Se a dor for nova, intensa ou vier acompanhada de falta de ar, suor frio, tontura ou mal-estar, deve-se acionar o SAMU (192) ou ir ao pronto-socorro imediatamente.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

  • Miocardite: a inflamação no coração que pode surgir após viroses

    Miocardite: a inflamação no coração que pode surgir após viroses

    Dor no peito, falta de ar e palpitações costumam ser sintomas associados a problemas cardíacos mais conhecidos, como infarto. Mas existe outra condição, menos comum e muitas vezes relacionada a infecções virais, que também pode afetar diretamente o coração: a miocardite.

    A doença provoca uma inflamação no músculo cardíaco e pode se manifestar de formas muito diferentes, desde quadros leves, que melhoram espontaneamente, até situações graves com risco de insuficiência cardíaca e arritmias. Em muitos casos, os sintomas aparecem após gripes, viroses ou outras infecções.

    O que é a miocardite

    A miocardite é uma inflamação do músculo do coração (miocárdio), que pode comprometer a capacidade de contração e o bombeamento adequado de sangue pelo organismo. O músculo cardíaco sofre inflamação, o que pode afetar sua função.

    Ela pode surgir após infecções, principalmente virais, e pode ser tanto uma doença leve ou até mesmo vir em formas bem graves e com risco de ter insuficiência cardíaca. A doença pode ser aguda, subaguda ou crônica.

    Em muitos casos, a doença melhora espontaneamente, mas em outros pode exigir acompanhamento e tratamento especializado.

    Essa inflamação pode causar:

    • Redução da força de contração do coração;
    • Alterações no ritmo cardíaco;
    • Alterações na condução dos estímulos elétricos do coração.

    Principais causas

    A causa mais comum da miocardite é infecção viral. Os principais fatores associados são:

    • Vírus (como influenza, covid-19 e outros);
    • Infecções bacterianas;
    • Doenças autoimunes;
    • Reações a medicamentos;
    • Exposição a toxinas.

    Nem sempre é possível identificar a causa exata.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem variar bastante de intensidade. Os mais comuns são:

    • Dor no peito (podendo simular um infarto);
    • Falta de ar;
    • Cansaço;
    • Palpitações;
    • Sensação de coração acelerado ou irregular.

    Em casos mais graves, podem surgir sinais de insuficiência cardíaca, choque cardiogênico, arritmias malignas e até morte súbita.

    Quando a miocardite pode ser grave

    Embora muitos casos sejam leves, a miocardite pode evoluir com complicações importantes. As principais são:

    • Insuficiência cardíaca;
    • Arritmias graves;
    • Choque cardiogênico;
    • Morte súbita.

    A gravidade depende da extensão da inflamação e do comprometimento do músculo cardíaco.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve avaliação clínica e exames complementares. Os principais são:

    • Eletrocardiograma;
    • Exames de sangue (como troponina);
    • Ecocardiograma;
    • Ressonância magnética cardíaca.

    Em alguns casos, pode ser necessário:

    • Cateterismo cardíaco, especialmente em pacientes com piora apesar do tratamento;
    • Biópsia do coração, em situações específicas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da causa e da gravidade da doença.

    1. Repouso

    • Evitar atividade física durante a fase aguda;
    • Evitar consumo de bebidas alcoólicas.

    2. Tratamento medicamentoso

    • Medicamentos para controle da insuficiência cardíaca;
    • Controle de arritmias, quando necessário.

    3. Tratamento da causa

    Quando identificada, como em infecções ou doenças autoimunes.

    4. Casos graves

    Casos graves podem exigir internação e suporte intensivo. Em situações refratárias, pode ser necessário:

    • Uso de drogas vasoativas;
    • Suporte mecânico circulatório (como ECMO e LVAD);
    • Transplante cardíaco, em casos extremos.

    Miocardite tem cura?

    Na maioria dos casos, sim. Muitos pacientes se recuperam completamente, especialmente nas formas leves.

    No entanto, alguns podem evoluir com sequelas cardíacas e necessidade de acompanhamento prolongado.

    Como prevenir complicações

    Algumas medidas ajudam a reduzir riscos:

    • Procurar avaliação médica diante de sintomas cardíacos;
    • Evitar exercícios físicos durante infecções virais;
    • Seguir corretamente o tratamento e acompanhamento médico.

    Confira: Trivalente ou quadrivalente: saiba qual vacina da gripe escolher e por quê

    Perguntas frequentes sobre miocardite

    1. Miocardite é grave?

    Pode ser, dependendo da extensão da inflamação.

    2. Pode causar dor no peito?

    Sim. É um sintoma comum.

    3. Está relacionada a vírus?

    Sim. Infecções virais são a principal causa.

    4. Tem cura?

    Na maioria dos casos, sim.

    5. Pode deixar sequelas?

    Sim. Alguns pacientes podem desenvolver problemas cardíacos persistentes.

    6. Precisa de repouso?

    Sim. O repouso é uma recomendação importante durante a fase aguda.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao apresentar dor no peito, falta de ar ou palpitações.

    Leia também: Exame de cálcio coronariano é útil para prevenir infarto? Saiba para que serve e quem deve fazer

  • 6 gatilhos para enxaqueca (e como prevenir novas crises)

    6 gatilhos para enxaqueca (e como prevenir novas crises)

    A enxaqueca é uma condição neurológica e crônica que causa crises recorrentes de dor de cabeça intensa, normalmente pulsátil e localizada em um lado da cabeça. As crises podem durar de algumas horas a vários dias e tendem a interferir significativamente na rotina e na qualidade de vida.

    Apesar da causa exata ainda não ser totalmente esclarecida, sabe-se que o cérebro de pessoas com enxaqueca é mais sensível a estímulos externos e internos, desde variações hormonais e hábitos alimentares até mudanças drásticas no ambiente, o que favorece a ativação de mecanismos neurológicos envolvidos na dor.

    Os gatilhos podem variar de pessoa para pessoa, mas compreender os principais pode ajudar na adoção de medidas para prevenir e reduzir a frequência e a intensidade das crises, segundo a neurologista Paula Dieckmann. Entenda mais, a seguir!

    O que pode causar as crises de enxaqueca?

    As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por diferentes fatores, que variam de pessoa para pessoa:

    1. Alterações hormonais

    Em mulheres, a queda brusca nos níveis de estrogênio logo antes do período menstrual interfere diretamente na modulação da dor e na liberação de neurotransmissores no sistema nervoso central. O uso de anticoncepcionais ou a terapia de reposição hormonal também podem agravar ou alterar o padrão das crises.

    2. Consumo de alimentos específicos e aditivos químicos

    No dia a dia, algumas substâncias presentes na dieta, como o glutamato monossódico em alimentos industrializados e os nitratos presentes em embutidos, contém propriedades vasoativas que podem provocar a dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais e desencadear o processo inflamatório da enxaqueca.

    O consumo de queijos envelhecidos, ricos em tiramina, e o uso excessivo de adoçantes artificiais, como o aspartame, também são apontados como fatores que estimulam a hipersensibilidade neuronal em indivíduos predispostos.

    3. Exposição a estímulos sensoriais intensos

    O cérebro de pessoas com enxaqueca apresenta uma dificuldade maior em processar estímulos sensoriais acumulados, fazendo com que a exposição prolongada a luzes brilhantes ou piscantes, ruídos muito altos e cheiros fortes, como perfumes ou solventes, ativem o nervo trigêmeo de forma anormal.

    A estimulação excessiva desencadeia uma série de reações no cérebro que levam à dor pulsante típica da enxaqueca, muitas vezes acompanhada de sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia) durante a crise.

    4. Desregulação do sono e fadiga extrema

    Tanto a privação crônica de sono quanto o hábito de dormir por períodos excessivamente longos, como ocorre frequentemente nos finais de semana, podem desequilibrar o ritmo circadiano e afetar a produção de melatonina e serotonina.

    Como consequência, a irregularidade nos horários de sono funciona como um fator de estresse para o organismo, diminuindo a tolerância do cérebro à dor e facilitando o surgimento de crises mais intensas de dor de cabeça, especialmente ao acordar.

    5. Fatores emocionais e o período de relaxamento

    O estresse é um dos fatores mais associados ao surgimento das crises, segundo Paula. Ele causa a liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina, mantendo o corpo em estado de alerta.

    Quando os níveis finalmente se reduzem, ocorre uma espécie de queda no organismo que pode desencadear a dor. Por isso, é comum o surgimento de dor de cabeça no período de descanso após dias intensos de trabalho.

    6. Mudanças ambientais e condições climáticas

    As variações bruscas na pressão atmosférica, as mudanças na umidade do ar e as alterações repentinas de temperatura exigem uma adaptação rápida do organismo e podem desencadear as crises em pessoas mais sensíveis.

    Para completar, a exposição ao sol intenso sem a proteção adequada e o vento forte diretamente no rosto também podem atuar como gatilhos, irritando as terminações nervosas da face e do couro cabeludo e favorecendo o início da enxaqueca.

    Como identificar os seus gatilhos de enxaqueca?

    Para identificar o que está causando as crises de enxaqueca, você pode adotar algumas medidas práticas no dia a dia, como:

    • Anote durante pelo menos um mês o dia e o horário em que a dor começou, a intensidade da crise e o que você fez nas 24 horas anteriores. Registre o que comeu, quantas horas dormiu, o nível de estresse e, no caso das mulheres, o dia do ciclo menstrual, para encontrar padrões que se repetem;
    • Identifique os alimentos suspeitos (como café, chocolate ou embutidos) e retire um por vez da sua dieta por duas semanas. Observe se a frequência das crises diminui e, ao reintroduzir o alimento, note se a dor volta a aparecer em um curto espaço de tempo;
    • Preste atenção se as crises costumam surgir em situações específicas, como após o uso prolongado de telas, exposição a ar-condicionado muito frio, cheiros fortes de limpeza ou logo após períodos de jejum prolongado;
    • Use aplicativos específicos para enxaqueca, que facilitam o registro dos sintomas e geram relatórios automáticos sobre possíveis gatilhos ambientais e climáticos com base na sua localização;
    • Identifique se a dor aparece durante o pico de uma situação estressante ou justamente no momento em que você relaxa, como no início do final de semana ou das férias, para entender como o seu sistema nervoso reage às variações de cortisol.

    Como prevenir novas crises de enxaqueca?

    Pequenas mudanças no dia a dia já podem te ajudar a prevenir a dor de cabeça, como:

    • Manter horários regulares de sono, dormindo e acordando sempre em horários parecidos, evitando tanto a privação quanto o excesso de sono;
    • Evitar longos períodos em jejum, fazendo refeições equilibradas ao longo do dia e mantendo a hidratação adequada;
    • Identificar e reduzir os gatilhos alimentares, como álcool, excesso de cafeína, alimentos ultraprocessados e ricos em aditivos químicos;
    • Controlar o estresse, por meio de atividades como exercícios físicos regulares, momentos de lazer e técnicas de relaxamento;
    • Evitar estímulos sensoriais intensos, como luz muito forte, barulhos excessivos e cheiros fortes sempre que possível;
    • Manter uma rotina organizada, já que mudanças bruscas no dia a dia podem favorecer o surgimento das crises;
    • Praticar atividade física regularmente, respeitando os limites do corpo;
    • Acompanhar com um profissional de saúde, que pode indicar tratamento preventivo quando as crises são frequentes ou intensas.

    Vale lembrar que o uso de qualquer medicamento deve ser orientado por um médico. A automedicação pode agravar o quadro, favorecendo o surgimento de crises mais frequentes e difíceis de controlar.

    Leia mais: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Perguntas frequentes

    1. O que é enxaqueca com aura?

    É um tipo de enxaqueca onde a dor é precedida ou acompanhada por sintomas visuais, como flashes de luz, pontos negros ou linhas em zigue-zague, que geralmente desaparecem em menos de uma hora.

    2. Enxaqueca tem cura?

    A enxaqueca não tem cura definitiva, mas é uma condição controlável com mudanças no estilo de vida, identificação de gatilhos e uso de medicamentos preventivos.

    3. Quanto tempo pode durar uma crise?

    Uma crise comum dura entre 4 e 72 horas. Se ultrapassar esse período, é chamado de estado de mal enxaquecoso e requer ajuda médica.

    4. É perigoso tomar analgésico todo dia?

    Sim. O uso excessivo (mais de 2 ou 3 vezes por semana) pode causar a “cefaleia por efeito rebote”, onde o remédio passa a causar mais dor.

    5. Qual a diferença entre dor de cabeça comum e enxaqueca?

    A enxaqueca é pulsátil, geralmente unilateral, e vem acompanhada de náuseas ou sensibilidade à luz, enquanto a dor comum (tensional) é uma pressão dos dois lados.

    6. Cheiro de perfume pode causar enxaqueca?

    Sim, isso é chamado de osmofobia. Odores fortes (perfumes, fumaça, gasolina ou produtos de limpeza) ativam diretamente as vias nervosas que desencadeiam a dor em pacientes predispostos.

    7. Existe enxaqueca infantil?

    Sim. Em crianças, os sintomas podem ser diferentes, como dores abdominais recorrentes, vômitos cíclicos ou tonturas, antes mesmo de apresentarem a dor de cabeça propriamente dita.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca